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domingo, 11 de janeiro de 2015

Crônica na Pedra - Ismail Kadaré

LIVRO - Crônica na Pedra



Título: Crônica na Pedra
Título Original: Kronikë në gur
Número de Páginas: 275
Autor: Kadaré, Ismail
Editora: Cia das Letras

      Em uma tradicional aldeia albanesa, chega inesperadamente a 2° Guerra Mundial, alterando para sempre as vidas das pessoas e deixando um rastro de sangue. “Crônica na Pedra” é um relato autobiográfico de Ismail Kadaré, envolvendo a sua cidade natal Gjirokastra, localizada no sul da Albânia.

      A paisagem de pedra de suas ruas tortuosas se torna o cenário de bombardeios por parte dos Aliados, como forma de retaliação aos membros da resistência e sucessivas ocupações militares. O narrador também enfrenta uma transição dolorosa, passando da infância para a adolescência. A presença dos soldados fascistas não o impede de conversar com a cisterna de casa, procurando indícios de feitiçaria por toda parte. Sua fantasia o protege contra o testemunho horrível de cadáveres amontoados e membros humanos decepados. O humor e o horror se chocam nesta Crônica na Pedra, como se medissem forças um com o outro.

      O golpe foi de surpresa, impiedoso. A sirene não funcionou. A cidade se contorceu como um epilético, pendeu, quase tombou. Era um domingo, nove horas da manhã. Pela primeira vez em sua longa vida, a venerável cidade, mil vezes alvejada por catapultas, pedras, canhões, aríetes de ferro, nesse domingo de outubro por volta do meio do século foi golpeada dos céus. Os alicerces esquartejados gemeram como cegos com a dor do abalo. Milhares de janelas horrorizadas estilhaçaram num grito os seus vidros.

      Depois do estrondo infernal, o mundo como que ensurdeceu. A cidade abalada fitava o céu aberto, que parecia pedir desculpas por sua neutralidade. Pelo céu passavam agora três pequenas cruzes cor de prata, que vinham de abalar de alto a baixo toda aquela massa de pedra.

      Sessenta e duas pessoas morreram no bombardeio. A velha vivida Neslihan foi achada entre os escombros, coberta até a cintura de pedras, vigas e cacos de telhas. Ela não compreendia o que ocorrera. Agitava no ar os longos braços e gritava: "Quem me matou?". Tinha cento e vinte e dois anos. Era cega.


Resenha escrita por Guilherme

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