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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

O Restaurante no Fim do Universo - Douglas Adams

LIVRO - O Restaurante no Fim do Universo



Título: O Restaurante no Fim do Universo
Título Original: The Restaurant at the End of the Universe
Número de Páginas: 229
Autor: Adams, Douglas
Editora: Arqueiro


AVISO: Esta resenha crítica contém SPOILER em seus últimos parágrafos com o objetivo de se realizar uma analise mais profunda da obra, pare de ler na linha demarcada caso não tenha lido o livro ou siga por sua conta e risco.



      O segundo livro da saga Trilogia dos Cinco, escrito por Douglas Adams conta sobre a viagem de Arthur Dent, Ford Prefect, Zaphod Beeblebrox (presidente da Galáxia) e Trillian pelo Universo em busca da Resposta a Questão Fundamental da Vida, do Universo e de Tudo Mais.


            Zaphod Beeblebrox apareceu pela primeira vez no primeiro volume da Trilogia dos Cinco, é uma figura muito distinta, sendo um sujeito altamente incompetente, egoísta, egocêntrico e corrupto, ou seja, possui todas as características necessárias para ser o presidente da Galáxia. Fazendo uma clara crítica a sociedade, Zaphod rouba a nave Coraçâo de Ouro (ainda no primeiro volume da saga) e neste segundo livro sai em busca do homem que rege o Universo. Quando finalmente Zaphod e Trillian conseguem finalmente encontrar o homem que rege o Universo, eles acabam encontrando uma pessoa completamente diferente do que esperavam e imaginavam (mais uma vez Douglas Adams lança uma crítica à sociedade e aos governantes).


   ------ INÍCIO DO SPOILER ------


      O destaque do livro fica para os capítulos que falam sobre o Restaurante no Fim do Universo (que por sinal é o título deste volume), o qual é localizado literalmente, no fim do Universo e onde os personagens são enviados “acidentalmente” após pedirem para o computador da nave Coração de Ouro leva-los ao restaurante mais próximo.
     
      Uma das sacadas e críticas mais geniais feitas por Douglas Adams ao longo de toda a saga acontece quando os quatro famintos viajantes espaciais pedem o “prato do dia”, após chegarem ao Restaurante no Fim do Universo. O prato do dia nada mais é que uma espécie de bovino que se dirige a mesa dos esfomeados viajantes e começa a apresentar “os melhores cortes e pedaços” de seu próprio corpo. Neste instante, o terráqueo Arthur Dent fica horrorizado com a situação e diz que nunca comeria um animal que se oferecesse para ser comido.  Acostumados com a situação, Zaphod e Ford Prefect não parecem se importar nem um pouco com a exibição do animal e começam rapidamente a “apalpar” os pedaços do animal para ver quais estavam mais macios. A terráquea Trillian também fica um pouco assustada com a cena, já que vindo da Terra, não estava acostumada com animais se oferendo como banquete. A espécie de bovino também parece não se importar, respondendo para Arthur que é melhor “come-la do que comer um animal que NÃO quer ser comido”. Para encerrar a discussão, Zaphod (que não demonstrava um pingo de choque ou repugnância) sugere quatro filés mal passados. A cena termia com as falas da espécie de bovino, transcrita a seguir:

 O animal levantou-se. Deu um grunhido brando. 
- Uma escolha muito acertada, senhor, se me permite. Muito bem - disse -, agora é só eu sair e me matar. 
Voltou-se para Arthur e deu uma piscadela amigável.
- Não se preocupe, senhor, farei isso com bastante humanidade.

      Outro trecho com uma sacada igualmente genial - ainda no Restaurante no Fim do Universo - é o trecho que relata os minutos finais do Universo, onde aparece o Grande Profeta Zarquon (a crítica que o autor faz é contra os religiosos).

No fundo do Restaurante, o grupo de devotos da Segunda Vinda do Grande Profeta Zarquon ajoelhou-se em êxtase entoando cânticos e chorando em profusão.     
Max piscou, espantado. Levantou os braços para a plateia.     
- Uma salva de palmas, senhoras e senhores - conclamou -, para o Grande Profeta Zarquon! Ele veio! Zarquon retornou!     
Um forte aplauso explodiu enquanto Max atravessava o palco para entregar o microfone ao Grande Profeta.   
Zarquon tossiu. Espiou a audiência reunida. As estrelas em seus olhos piscavam, pouco à vontade. Segurava o microfone, confuso.     
- Ahn... - disse ele - ...olá. Olhem, peço desculpas se estou um pouco atrasado. Passei por alguns momentos difíceis, surgiram varias coisas para resolver na última hora.     
Parecia nervoso com o silêncio reverente dos espectadores. Pigarreou.     
- Ahn, quanto tempo temos? - disse. - Será que eu tenho um min...     
E foi assim que acabou o Universo.

      No final do livro Ford e Arthur conseguem escapar por um triz de uma morte terrível e vão parar a bordo de uma nave desconhecida. Segundo os capitães desta nave, o planeta em que moravam estava condenado e então a população foi divida e distribuída em três naves para realizar a evacuação do planeta. Na nave “A” ficaram todos os líderes brilhantes, cientistas, os grandes artistas, entre outros grandes nomes. Na nave “C” ficaram todas as pessoas que fazem o trabalho pesado, aqueles que fazem e constroem coisas. E na nave “B”, que era a nave em que estavam, estavam todos os cabelereiros, executivos de relações públicas, pesquisadores de opinião pública, limpadores de telefones, gerentes de conta de marketing, vendedores de carros, etc. Mas o que os capitães não avisaram para os novos passageiros é que as outras duas frotas “sumiram” misteriosamente da rota estabelecida e que a nave “B” estava em rota de colisão com um pequeno planeta. Nesta parte do livro, o autor faz críticas aos setores da sociedade que são os “intermediadores”, realizando trabalhos fundamentais, mas que mesmo assim são descartáveis aos olhos da sociedade em geral.


   ------ FIM DO SPOILER ------


      Mais um livro sublime de Douglas Adams, para quem ainda não teve oportunidade de ler, não percam tempo. Um livro leve, irônico e rápido, que tem por função divertir o leitor ao mesmo tempo em que nos faz pensar sobre o Universo e coisas de nosso cotidiano que são tão banais, mas que na visão de um “extraterrestre” seria considerado um completo absurdo. Um livro escrito por uma mente muito além de seu tempo, que precisa ser lido, relido e lido mais uma vez, passando de geração para geração para eternizar esta grande saga de um grande homem.



Resenha escrita por Guilherme

2 comentários:

  1. Oi Guilherme! Eu vi que vc me adicionou no skoob e vim dar uma olhada no blog. Tenho bastante vontade de ler a série do Mochileiro das Galáxias, tenho um amigo fascinado pelo Douglas Adams e vive falando desses livros... Outro amigo meu disse que o primeiro e o segundo são bem engraçados.
    Não li sua resenha inteira, por causa dos spoilers, mas achei muito legal a forma como vc finalizou, realmente dá vontade de ler o livro!

    Beijo e boa sorte com o blog!

    vidaaosvinte.com.br

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    Respostas
    1. Olá Karina! Realmente é uma obra fantástica, os livros perdem um pouco seu brilho depois do terceiro volume, mas os dois primeiros são uma obra prima da literatura. Vale muito a pena ler, pelo menos o primeiro livro.

      Muito Obrigado! Continue seguindo o blog, postaremos novas resenhas pelo menos uma vez por semana.

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