Menu

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Capitães da Areia - Jorge Amado

Livro - Capitães da Areia


Título: Capitães da Areia
Número de Páginas:
Autor: Jorge Amado
Editora: Companhia de Bolso
 Estranhas coisas entraram pelo trapiche. Não mais estranhas, porém, que aqueles meninos, moleques de todas as cores e de idades as mais variadas, desde os nove aos dezesseis anos, que à noite se estendiam pelo assoalho e por debaixo da ponte e dormiam, indiferentes ao vento que circundava o casarão uivando, indiferentes à chuva que muitas vezes os lavava, mas com os olhos puxados para as luzes dos navios, com os ouvidos presos às canções que vinham das embarcações...

      Capitães da Areia é um clássico da literatura brasileira escrito por Jorge Amado. O livros conta a história dos Capitães da Areia, meninos de rua que moram em um velho trapiche abandonado na Bahia. O romance foi publicado em 1937 e teve a primeira edição apreendida e queimada pelos militares, no período da ditatura militar, por conta de seu forte contexto social e crítica à sociedade. O livro pertence a segunda fase do Modernismo no Brasil (conhecida como Romance de 30), cuja narrativa parece fortemente vinculada ás transformações políticas, sociais e econômicas do período do Brasil (entre os anos de 1930 e 1945).

       A obra trata do problema dos menores abandonados em nossa sociedade: o descaso da autoridades, a criminalidade, a opressão e até a prostituição. No trapiche vivem diversos garotos: brancos, pardos, mulatos e negros; muitos deles órfãos.  Apesar de cada garoto ter uma personalidade marcante, possuem pensamentos muito parecidos sobre a sociedade opressora. Os personagens principais do livro são: Pedro Bala, Sem Perna, João Grande, Pirulito, Gato, Dora, Professor, Volta Seca e o padre José Pedro. Pedro Bala é o líder do bando, filho de um estivador assassinado durante uma manifestação. Professor é o único menino que sabe lê no bando, durante a noite conta as histórias de marinheiros para os outros meninos, encantando-os, e lê também reportagens do jornal que falam sobre o grupo (Capitães da Areia) e sobre Lampião. Volta Seca é afilhado de Lampião e sonha em se unir ao padrinho, entrando no cangaço e vingando a morte de sua mãe. Gato é um menino bonito que gosta de cuidar bem de sua aparência, o típico malandro que se apaixona por uma prostituta e do relacionamento colhe doces louros (tanto de prazer como de dinheiro). Sem Perna é um menino manco de uma das pernas, que se aproveita de sua situação para pedir abrigo por alguns dias em casa de senhores ricos e depois, facilitar a entrada dos demais capitães da areia para realizarem roubos, é um menino que carrega dentro de si todo o ódio pela humilhação e desprezo que o povo rico tanto causou nele. João Grande é um negro bom, sempre protegendo os novatos e membros mais mirradinhos, capaz de resolver muitas brigas entre os próprios meninos com calma e pulso firme. Pirulito era a criança mais violenta do grupo, até o padre José Pedro o converter, agora seu sonho é ser padre e catequizar outras crianças carentes como ele. O padre José Pedro é o único padre da cidade que se importa realmente com os Capitães da Areia, e faz de tudo para ajuda-los com comida, roupas e tentando convencer a sociedade a ajudar e adotar os pobres meninos.


       Capitães da Areia é uma denúncia à sociedade, escrita na linguagem dos meninos da rua. Crianças abandonadas que lutam para sobreviver em um mundo oprimido pelos ricos e pela igreja, onde apenas quem tem dinheiro consegue se dar bem. Sem perspectiva de vida, as crianças precisam se tornar adultos e se unirem para confrontarem tamanha injustiça e desigualdade. Um relato triste e chocante de uma realidade que está presente em nosso país desde os tempos de D. Pedro I. Vivemos em uma sociedade onde o rico fica cada vez mais rico em cima dos pobres que ficam cada vez mais pobre. Onde apenas o rico tem oportunidades, bem estar social e é visto como herói na sociedade. Em uma sociedade onde os pobres não tem vez, os capitães da areia nem por isso deixam de sorrir e de sonhar em ser criança em um mundo igualitário, onde pequenos acontecimentos da vida (como andar em um carrossel) se transformam em um sonho realizado, onde uma simples abraço e palavras carinhosas conseguem conquistar os meninos (mesmo que seja por pouco tempo, como a Dona Ester e o Sem Perna). Um livro comovente e impactante, mesmo tendo se passado quase 80 anos desde seu lançamento, infelizmente ainda retrata a história de milhões de crianças de nosso país. Uma leitura obrigatório para todos os cidadãos brasileiros e, principalmente, para os ricos (pois quem sabe algum deles se comovam com uma história tão realista e triste e resolvam ajudar). Um pequeno ato nosso para estes meninos pode não fazer muita diferença para nós, mas pode salvar uma vida e principalmente, salvar a inocência de uma pobre criança que teve seu destino amaldiçoado desde o berço. 


Resenha escrita por Guilherme

Nenhum comentário:

Postar um comentário